O menino ribeirinho antropólogo e o Opará: modos criativos de narrar e descrever transformações paisagísticas, humanas e mais-que-humanas nas águas e margens do São Francisco em mundos fraturados

Opará — rio-mar — é o nome dado pelos povos Tupi-Guarany ao rio que, desde 1501, passou a ser chamado de São Francisco. Há mais de dois bilhões de anos, esse velho rio rasga a terra, transforma paisagens e molda vidas e relações. Ventos, erosões, secas e cheias, sedimentos, espécies diversas, seres...

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Autor principal: Silva, Igor Luiz Rodrigues da
Formato: Online
Lenguaje:portugués
Publicado: Universidade Estadual de Campinas 2026
Materias:
Acceso en línea:https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/maloca/article/view/20488
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container_reference Maloca: Revista de Estudos Indígenas; Vol. 8 (2025): Publicação Contínua ; e025013
description Opará — rio-mar — é o nome dado pelos povos Tupi-Guarany ao rio que, desde 1501, passou a ser chamado de São Francisco. Há mais de dois bilhões de anos, esse velho rio rasga a terra, transforma paisagens e molda vidas e relações. Ventos, erosões, secas e cheias, sedimentos, espécies diversas, seres mais-que-humanos e povos originários compõem sua existência contínua, marcada por fluxos lênticos, sem grandes rupturas ou aprisionamentos. Este trabalho propõe narrar o rio a partir de minhas próprias experiências, memórias, práticas e vínculos, no que denomino “antropologia ribeirinha”. Para além dos marcos conceituais ocidentais e canônicos, assumo como metodologia o encontro com os sonhos, com saberes inscritos no corpo e com uma escrita nascida do mergulho, do nado, da pesca e da canoagem. Essa escrita também emerge dos diálogos e aconselhamentos tecidos nas relações com entidades, orixás, cânticos, ritos e incorporações, enquanto iniciado na Umbanda. Trata-se de afirmar a vida do rio e no rio, sem submetê-la às contínuas apropriações coloniais, e de recusar uma antropologia que participe da domesticação violenta dos mundos e dos conhecimentos.
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spelling ojs-article-204882026-07-30T14:39:03Z O menino ribeirinho antropólogo e o Opará: modos criativos de narrar e descrever transformações paisagísticas, humanas e mais-que-humanas nas águas e margens do São Francisco em mundos fraturados The riverside boy anthropologist and the Opará: creative ways of narrating and describing landscape, human, and more-than-human transformations in the waters and banks of the São Francisco in fractured worlds El niño ribereño antropólogo y el Opará: modos creativos de narrar y describir transformaciones paisajísticas, humanas y más-que-humanas en las aguas y orillas del São Francisco en mundos fracturados Silva, Igor Luiz Rodrigues da Silva, Igor Luiz Rodrigues da Silva, Igor Luiz Rodrigues da Antropologia Ribeirinha Paisagens Rio São Francisco Antropología Ribereña Paisajes Río São Francisco Riverside Anthropology Landscapes São Francisco River Opará — rio-mar — é o nome dado pelos povos Tupi-Guarany ao rio que, desde 1501, passou a ser chamado de São Francisco. Há mais de dois bilhões de anos, esse velho rio rasga a terra, transforma paisagens e molda vidas e relações. Ventos, erosões, secas e cheias, sedimentos, espécies diversas, seres mais-que-humanos e povos originários compõem sua existência contínua, marcada por fluxos lênticos, sem grandes rupturas ou aprisionamentos. Este trabalho propõe narrar o rio a partir de minhas próprias experiências, memórias, práticas e vínculos, no que denomino “antropologia ribeirinha”. Para além dos marcos conceituais ocidentais e canônicos, assumo como metodologia o encontro com os sonhos, com saberes inscritos no corpo e com uma escrita nascida do mergulho, do nado, da pesca e da canoagem. Essa escrita também emerge dos diálogos e aconselhamentos tecidos nas relações com entidades, orixás, cânticos, ritos e incorporações, enquanto iniciado na Umbanda. Trata-se de afirmar a vida do rio e no rio, sem submetê-la às contínuas apropriações coloniais, e de recusar uma antropologia que participe da domesticação violenta dos mundos e dos conhecimentos. Opará — río-mar — es el nombre dado por los pueblos Tupi-Guarany al río que, desde 1501, pasó a llamarse São Francisco. Desde hace más de dos mil millones de años, este viejo río hiende la tierra, transforma paisajes y moldea vidas y relaciones. Vientos, erosiones, sequías y crecidas, sedimentos, especies diversas, seres más-que-humanos y pueblos originarios componen su existencia continua, marcada por flujos lénticos, sin grandes rupturas ni aprisionamientos. Este trabajo propone narrar el río a partir de mis propias experiencias, memorias, prácticas y vínculos, en lo que denomino “antropología ribereña”. Más allá de los marcos conceptuales occidentales y canónicos, asumo como metodología el encuentro con los sueños, con saberes inscritos en el cuerpo y con una escritura nacida del buceo, la natación, la pesca y el canotaje. Esta escritura también emerge de los diálogos y consejos tejidos en las relaciones con entidades, orixás, cantos, ritos e incorporaciones, como iniciado en la Umbanda. Se trata de afirmar la vida del río y en el río sin someterla a las continuas apropiaciones coloniales y de rechazar una antropología que participe en la domesticación violenta de los mundos y de los conocimientos. Opará — river-sea — is the name given by the Tupi-Guarany peoples to the river that, since 1501, has come to be known as the São Francisco. For more than two billion years, this ancient river has carved through the earth, transforming landscapes and shaping lives and relationships. Winds, erosion, droughts and floods, sediments, diverse species, more-than-human beings, and Indigenous peoples compose its continuous existence, marked by lentic flows, without major ruptures or confinements. This work proposes to narrate the river through my own experiences, memories, practices, and bonds, in what I call “riverside anthropology.” Beyond Western and canonical conceptual frameworks, I adopt as methodology encounters with dreams, with knowledges inscribed in the body, and with a form of writing born from diving, swimming, fishing, and canoeing. This writing also emerges from dialogues and counsel woven through relationships with entities, orixás, chants, rites, and incorporations, as an initiate of Umbanda. The aim is to affirm life of the river and in the river without subjecting it to continuous colonial appropriations, and to refuse an anthropology that participates in the violent domestication of worlds and knowledges. Universidade Estadual de Campinas 2026-05-28 info:eu-repo/semantics/article info:eu-repo/semantics/publishedVersion Texto Text Texto application/pdf https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/maloca/article/view/20488 10.20396/maloca.v8i00.20488 Maloca: Revista de Estudos Indígenas; Vol. 8 (2025): Publicação Contínua ; e025013 Maloca: Revista de Estudos Indígenas; Vol. 8 (2025): Publicação Contínua ; e025013 Maloca: Revista de Estudos Indígenas; v. 8 (2025): Publicação Contínua ; e025013 2675-3111 por https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/maloca/article/view/20488/15228 Brasil; Contempororâneo Brasil; Contempororâneo Brazil; present Copyright (c) 2026 Igor Luiz Rodrigues da Silva https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0
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