Por um indigenismo de Estado não apenas colonial? algumas reflexões a partir da experiência de um “pesquisador-funcionário” na Funai
As origens deste texto se encontram em impressões, incômodos e dilemas éticos, políticos e epistemológicos com os quais me deparo em minha experiência como funcionário da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), atuando sobretudo com temáticas relacionadas à gestão ambiental e territorial, e t...
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| Main Author: | |
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| Format: | Online |
| Language: | Portuguese |
| Published: |
Universidade Estadual de Campinas
2026
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| Subjects: | |
| Online Access: | https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/maloca/article/view/20497 |
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| Summary: | As origens deste texto se encontram em impressões, incômodos e dilemas éticos, políticos e epistemológicos com os quais me deparo em minha experiência como funcionário da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), atuando sobretudo com temáticas relacionadas à gestão ambiental e territorial, e também como doutorando em antropologia. Em ambos os casos, minhas principais interlocuções são com os A’uwẽ, amplamente conhecidos pela categoria Xavante, povo indígena do leste mato-grossense. Desenvolvo no artigo algumas reflexões metodológicas sobre as implicações da indissociabilidade entre pesquisa antropológica e atuação indigenista no trabalho etnográfico que desenvolvo atualmente. O horizonte que motiva estas reflexões se compõe por antigas inquietações e perguntas encarnadas nesta posição de antropólogo-funcionário: quais as conexões possíveis entre a política indigenista estatal e aquilo que a experimentação etnográfica na antropologia vem chamando de política ontológica (de la Cadena; Blaser, 2018)? Quais possibilidades de engajamentos com mundos humanos e mais-que-humanos emergem desta interface? Narrar histórias de alguns de meus encontros - com os A’uwẽ e seu Cerrado, com a Funai e seu ofício – me parece uma boa maneira de avançar em tais reflexões. O indigenismo de Estado enraíza-se incontestavelmente em processos de dominação, extermínio e expulsão territorial, desdobrados contemporaneamente em políticas públicas que conduzem também à ampliação e manutenção de silenciamentos ontológicos. Ainda assim, argumento que a própria possibilidade de esboçar linhas de fuga aos processos de captura dessa máquina institucional, mesmo que de maneira precária e atravessada por contradições e limitações, indica caminhos para um indigenismo de Estado não apenas colonial. A partir do processo específico de construção do “problema de pesquisa” de meu doutorado, sugiro que um dos possíveis pontos de partida deste esboço atravessa a prática antropológica e seu esforço reflexivo a respeito dos problemas compartilhados divergentemente durante a experiência como indigenista junto aos A’uwẽ. |
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| ISSN: | 2675-3111 |