Do “empresário de si” ao travailleur on black: racionalidades periféricas entre permanências e transformações do trabalho por aplicativo
Este artigo analisa a precarização transnacional do trabalho por aplicativo a partir de uma etnografia multi-situada realizada entre 2020 e 2023 nas cidades do Rio de Janeiro e Paris. O objetivo é compreender como narrativas de “autonomia”, empreendedorismo e dignidade se articulam a regimes distint...
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| Main Author: | |
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| Format: | Online |
| Language: | Portuguese |
| Published: |
Universidade Estadual de Campinas
2026
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| Subjects: | |
| Online Access: | https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/tematicas/article/view/20813 |
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| Summary: | Este artigo analisa a precarização transnacional do trabalho por aplicativo a partir de uma etnografia multi-situada realizada entre 2020 e 2023 nas cidades do Rio de Janeiro e Paris. O objetivo é compreender como narrativas de “autonomia”, empreendedorismo e dignidade se articulam a regimes distintos de (des)regulação do trabalho. No Brasil, a recusa da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sintetizada na expressão “CLT nunca mais”, expressa uma racionalidade pragmática que associa a formalização laboral à perda de renda e de flexibilidade. Na França, migrantes sans papiers recorrem ao marché noir de aluguel de contas como via de acesso às plataformas, configurando uma precariedade atravessada pela condição de ilegalidade. Em ambos os contextos, a “autonomia” é reivindicada como valor central, mas sob formas que reforçam a mercantilização da liberdade, a responsabilização individual e a transferência dos riscos para os trabalhadores. O diálogo com autores como Abílio, Grohmann, Qiu, Rosenblat, Srnicek e Van Doorn permite situar essas experiências em processos mais amplos de plataformização, marcados pelo controle algorítmico, pela instabilidade estrutural e pela reprodução de desigualdades de classe, raça e território. A comparação entre Rio e Paris evidencia tanto permanências, como a centralidade de trabalhadores periféricos e migrantes em atividades precárias, quanto transformações ligadas à digitalização e à opacidade algorítmica. Ao privilegiar a escuta das falas, práticas e repertórios culturais dos entregadores, o artigo demonstra que a recusa da CLT e o recurso ao marché noir não constituem escolhas individuais, mas respostas situadas a contextos de exclusão e precarização estrutural. |
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| ISSN: | 2595-315X |