O mito não é criado, ele se constrói: a Medea e o metateatro de Sêneca
Este artigo examina a construção da personagem de Medeia na tragédia homônima de Sêneca como articulação simultânea de dois mecanismos formais inseparáveis. O primeiro consiste na inversão sistemática da prokopē estoica, isto é, no progresso moral retórico-meditativo posto a serviço do nefas; o segu...
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| Main Author: | |
|---|---|
| Format: | Online |
| Language: | Portuguese |
| Published: |
Universidade Estadual de Campinas
2026
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| Subjects: | |
| Online Access: | https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/phaos/article/view/21999 |
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|---|---|
| author | Amaya, Lucas Amaya, Lucas Amaya, Lucas |
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| author_sort | Amaya, Lucas |
| collection | Portal da Incubadora de Periódicos Científicos, Acadêmicos e Educacionais |
| container_reference | PhaoS - Revista de Estudos Clássicos; Vol. 26 (2026): Continous Publication; e026010 |
| description | Este artigo examina a construção da personagem de Medeia na tragédia homônima de Sêneca como articulação simultânea de dois mecanismos formais inseparáveis. O primeiro consiste na inversão sistemática da prokopē estoica, isto é, no progresso moral retórico-meditativo posto a serviço do nefas; o segundo consiste no programa metateatral, no qual a personagem opera como dramaturga e espectadora da própria peça. Mediante análise filológica de oito passagens do texto, do parta ultio est: peperi do prólogo (v. 25-26) ao sic fugere soleo do êxodo (v. 1021-1022), demonstra-se que o eixo lexical triplo parere / fieri / esse organiza a trajetória da heroína em temporalidades verbais distintas, e que as fórmulas approba populo manum (v. 977) e derat hoc unum mihi, spectator iste (v. 992-993) inscrevem a audiência no interior da própria ação dramática. Conclui-se que o mito, em Sêneca, não se encontra já feito, antes se executa em cena, diante de testemunhas, por meio de uma askesis às avessas que devolve à liturgia estoica a possibilidade de operar contra a uirtus. |
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| publishDate | 2026 |
| publisher | Universidade Estadual de Campinas |
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| spelling | ojs-article-219992026-09-29T11:36:26Z O mito não é criado, ele se constrói: a Medea e o metateatro de Sêneca The myth is not created, it builds itself: Seneca's Medea and metatheatre El mito no se crea, se construye: Medea y el metateatro de Séneca Amaya, Lucas Amaya, Lucas Amaya, Lucas Seneca Metateather Roman Tragedy Medea Prokopē Sêneca Metateatro Tragédia Romana Medeia Prokopē Séneca Metateatro Tragedia romana Medea Prokopé Este artigo examina a construção da personagem de Medeia na tragédia homônima de Sêneca como articulação simultânea de dois mecanismos formais inseparáveis. O primeiro consiste na inversão sistemática da prokopē estoica, isto é, no progresso moral retórico-meditativo posto a serviço do nefas; o segundo consiste no programa metateatral, no qual a personagem opera como dramaturga e espectadora da própria peça. Mediante análise filológica de oito passagens do texto, do parta ultio est: peperi do prólogo (v. 25-26) ao sic fugere soleo do êxodo (v. 1021-1022), demonstra-se que o eixo lexical triplo parere / fieri / esse organiza a trajetória da heroína em temporalidades verbais distintas, e que as fórmulas approba populo manum (v. 977) e derat hoc unum mihi, spectator iste (v. 992-993) inscrevem a audiência no interior da própria ação dramática. Conclui-se que o mito, em Sêneca, não se encontra já feito, antes se executa em cena, diante de testemunhas, por meio de uma askesis às avessas que devolve à liturgia estoica a possibilidade de operar contra a uirtus. This article examines the construction of Medea as a character in Seneca’s homonymous tragedy as the simultaneous articulation of two inseparable formal mechanisms. The first is the systematic inversion of Stoic prokopē, that is, the rhetorical-meditative moral progress placed at the service of nefas; the second is the metatheatrical programme, in which the character operates as both playwright and spectator of her own play. Through a philological analysis of eight passages, from the parta ultio est: peperi of the prologue (v. 25-26) to the sic fugere soleo of the exodos (v. 1021-1022), it is shown that the triple lexical axis parere / fieri / esse organises the heroine’s trajectory across distinct verbal temporalities, and that the formulas approba populo manum (v. 977) and derat hoc unum mihi, spectator iste (v. 992-993) inscribe the audience within the dramatic action itself. It is concluded that myth, in Seneca, is not found already made but is enacted on stage, before witnesses, by means of an inverted askesis that restores to Stoic liturgy the possibility of operating against uirtus. Este artículo examina la construcción del personaje de Medea en la tragedia homónima de Séneca como una articulación simultánea de dos mecanismos formales inseparables. El primero consiste en la inversión sistemática de la prokopē estoica, es decir, en el progreso moral retórico-meditativo puesto al servicio del nefas; el segundo consiste en el programa metateatral, en el que el personaje actúa como dramaturga y espectadora de su propia obra. Mediante un análisis filológico de ocho pasajes del texto, desde el parta ultio est: peperi del prólogo (vv. 25-26) hasta el sic fugere soleo del éxodo (vv. 1021-1022), se demuestra que el eje léxico triple parere / fieri / esse organiza la trayectoria de la heroína en temporalidades verbales distintas, y que las fórmulas approba populo manum (v. 977) y derat hoc unum mihi, spectator iste (vv. 992-993) inscriben a la audiencia en el interior de la propia acción dramática. Se concluye que el mito, en Séneca, no está ya dado, sino que se ejecuta en escena, ante testigos, mediante una askēsis a la inversa que devuelve a la liturgia estoica la posibilidad de operar contra la virtus. Universidade Estadual de Campinas 2026-09-22 info:eu-repo/semantics/article info:eu-repo/semantics/publishedVersion Artigo avaliado pelos Pares Texto Texto Text application/pdf https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/phaos/article/view/21999 10.20396/phaos.v26i00.21999 PhaoS - Revista de Estudos Clássicos; Vol. 26 (2026): Continous Publication; e026010 PhaoS: Revista de Estudos Clássicos; Vol. 26 (2026): Publicación Continua; e026010 Phaos: Revista de Estudos Clássicos; v. 26 (2026): Publicação Contínua; e026010 2526-8058 1676-3076 por https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/phaos/article/view/21999/16105 Roma Imperial; século I a.C. ao século V d.C. Roma Imperial; siglo I a.C. al siglo V d.C. Imperial ; 1st century BC to 5th century AD. Copyright (c) 2026 Lucas Amaya https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 |
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