Governança em disputa: conflitos de classe na Petrobras no governo Lula III
Este artigo analisa a governança da Petrobras no Governo Lula III (2023-2025) como expressão de uma governança híbrida estruturalmente instável, forma institucional que cristaliza o conflito irresolúvel entre o projeto político desenvolvimentista do Estado e a disciplina financeira imposta pelos inv...
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| Main Authors: | , |
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| Format: | Online |
| Language: | Portuguese |
| Published: |
Universidade Estadual de Campinas
2026
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| Subjects: | |
| Online Access: | https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/cemarx/article/view/22021 |
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| Summary: | Este artigo analisa a governança da Petrobras no Governo Lula III (2023-2025) como expressão de uma governança híbrida estruturalmente instável, forma institucional que cristaliza o conflito irresolúvel entre o projeto político desenvolvimentista do Estado e a disciplina financeira imposta pelos investidores institucionais globais. Articulando a análise de classes de inspiração poulantziana (Boito Jr.) com a economia política da firma desenvolvida no Instituto de Economia da Unicamp (Machado; Sarti e Hiratuka), o artigo demonstra que a alternância política é condição necessária, mas não suficiente, para alterar a lógica de funcionamento da empresa. A análise empírica, baseada em Formulários de Referência (CVM), Form 20-F (SEC) e Relatórios de Desempenho (2022-2025), examina cinco dimensões: estrutura acionária, reconstituição do Conselho de Administração, abandono do PPI, episódio do dividendo extraordinário de março de 2024 e estrutura de remuneração executiva. Os resultados revelam reorientação substantiva, com mudança de perfil do CA, nova política de preços e redução do payout mínimo para 45% do FCL, mas também constrangimentos estruturais expressos na concentração do CAPEX em E&P, que cresceu de 77,6% (2022) para 83,8% (2024), na aquisição de poder de voto pela BlackRock durante o período desenvolvimentista e na formalização, via mecanismo de "governança adicional" no PN 2026-2030, da hierarquia entre disciplina financeira e compromisso de investimento. Conclui-se que a MVA não é ideologia de uma fração, mas estrutura que disciplina a empresa independentemente de qual fração controla o Estado, reconhecimento este que constitui condição para qualquer projeto futuro de reorientação mais profunda. |
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| ISSN: | 2318-065X |