A percepção de mães sobre a adolescência em território de vulnerabilidade: um espaço de reflexão coletivo protegido

Introdução: A adolescência é uma fase de mudanças físicas, psicológicas e sociais. Apesar do distanciamento na relação com os pais nesta fase, as figuras paternas e maternas são essenciais. O ambiente em que o adolescente vive determina a quais fatores de risco e de proteção ele está sujeito. Para c...

Full description

Saved in:
Bibliographic Details
Main Authors: Carvalho, Marielle Cristina Ribeiro de, Ali, Lília Freire Rodrigues de Souza
Format: Online
Language:Portuguese
Published: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) 2023
Subjects:
Online Access:https://econtents.sbu.unicamp.br/eventos/index.php/simtec/article/view/8685
Tags: Add Tag
No Tags, Be the first to tag this record!
Description
Summary:Introdução: A adolescência é uma fase de mudanças físicas, psicológicas e sociais. Apesar do distanciamento na relação com os pais nesta fase, as figuras paternas e maternas são essenciais. O ambiente em que o adolescente vive determina a quais fatores de risco e de proteção ele está sujeito. Para compreender o adolescente, temos que levar em consideração as peculiaridades e características do território em que ele está inserido. Objetivo: O objetivo deste trabalho analisar as vivências e perspectivas de mães sobre a adolescência em territórios com grande vulnerabilidade social. Metodologia: A pesquisa foi realizada em uma Unidade Básica de Saúde e em uma Escola Estadual numa área da periferia do município de Campinas, exposta ao tráfico de drogas e à violência, e foi desenvolvida em duas fases. Na primeira fase foi realizado um estudo transversal com 71 sujeitos, utilizando um questionário socioeconômico e o WHOQOL-BREF, que avalia a qualidade de vida nos domínios Físico, Psicológico, Relações Sociais e Meio-Ambiente. Na segunda fase, com o intuito de captar as percepções e os sentimentos das mães em relação à adolescência no ambiente em que estavam inseridas, foram realizadas narrativa interativa com nove participantes, seguido de grupos focais. O material coletado foi analisado qualitativamente segundo a Teoria Fundamentada nos Dados. Resultados: Ao utilizar o questionário WHOQOL-BREF, a média do domínio Físico foi de 71,76; do Psicológico 68,05; das Relações Sociais 65,96; e do Meio-Ambiente 45,70. Participantes que tinham adolescentes na família apresentavam domínio Psicológico significativamente menor do que os que não conviviam com adolescentes (p=0,0348). A análise das narrativas encontrou as seguintes categorias: "Percebendo o adolescente vulnerável ao grupo, a situações ilícitas e à violência"; "Desconfiando do adolescente"; "Justificando o distanciamento na relação com o adolescente pela falta de tempo e excesso do trabalho dos pais"; e "Sentindo-se indefesas e impotentes frente à violência do território". O fenômeno central identificado foi "Sentindo-se desamparadas nas questões familiares". A Análise dos grupos focais encontrou as seguintes categorias: "Entendendo que adolescentes precisam de diálogo, estudo e trabalho"; "Sentindo dificuldade de lidar com o adolescente"; "Entendendo que a responsabilidade do cuidado é da mãe"; "Sentindo-se inseguras e indefesas no território"; e "Isolando-se em casa". Como fenômeno central: "Precisando manter os adolescentes ocupados para protegê-los". Conclusão: Os participantes da pesquisa possuíam uma menor satisfação em relação ao domínio Meio-Ambiente, comprometendo a sua qualidade de vida. O convívio com um adolescente em casa impactou negativamente o domínio Psicológico. As mães se sentiam desamparadas em relação à adolescência dos filhos e percebiam que este era um momento de grande vulnerabilidade e risco social para eles. Neste ambiente elas se sentiam vulneráveis por não conseguirem proteger seus filhos adolescentes, preferindo se isolar em casa. 
ISSN:2525-5398