Mercúrio rouba a voz e o lugar de Apolo no carm. 1. 10 de Horácio

Neste artigo, propomos que Horácio, ao tomar como modelo para a disposição das Odes a edição helenística de Alceu, que se iniciava por um hino a Apolo (fr. 307a V.), cria a expectativa de louvor a um deus. O primeiro hino nas Odes, porém, é a Mercúrio (carm. 1. 10), o inventor da lira, que assim ‘ro...

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Detalles Bibliográficos
Autor principal: Hasegawa, Alexandre Pinheiro
Formato: Online
Lenguaje:portugués
Publicado: Universidade Estadual de Campinas 2017
Materias:
Acceso en línea:https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/phaos/article/view/9418
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Descripción
Sumario:Neste artigo, propomos que Horácio, ao tomar como modelo para a disposição das Odes a edição helenística de Alceu, que se iniciava por um hino a Apolo (fr. 307a V.), cria a expectativa de louvor a um deus. O primeiro hino nas Odes, porém, é a Mercúrio (carm. 1. 10), o inventor da lira, que assim ‘rouba’ a posição de destaque dada a Apolo na edição-modelo. Numa leitura metapoética, entendemos que o roubo, característica ressaltada ao longo do poema, não só é das vacas e da aljava, mas também da própria voz de Febo. Além disso, a habilidade em enganar de Mercúrio parece incidir no engano que se tem ao considerar a ode como fim do livro. Ao criar ainda a expectativa de conclusão, ao deslocar o hino para a final da primeira parte do livro, o carm. 1. 10 mostra-se um falso fim na continuidade da leitura. Esse jocoso Mercúrio, como jocosa é a lírica de Horácio (carm. 3. 3. 69), parece disputar ainda a posição com Apolo em outros lugares estratégicos de Odes 1.
ISSN:1676-3076